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Artigos :: Chão que Reluz

Eles já foram descuidados, maltratados e desbotaram com o desdém. Mas desde que passaram a vigorar normas de qualidade nas empresas, que buscam atingir produtividade e garantir a segurança dos funcionários e equipamentos, os pisos industriais ganharam atenção, investimentos e uma série de produtos e tecnologias de vanguarda.Chão de fábrica, até há pouco tempo, nada mais era que um termo usado para definir o ambiente onde os trabalhadores, normalmente operários, realizavam suas tarefas.

Nos últimos anos, por força da necessidade de implantação de normas e programas de de qualidade, que visam promover não só ganhos de produtividade com a saúde e segurança dos funcionários, os pisos passaram a ser tratados como importantes condutores do sucesso empresarial. Aliado às novas exigências, o crescimento da economia também ajudou a expandir o setor de pisos industriais, já que indústrias alimentícias, farmacênticas, eletroeletrônicas, automobilísticas e outras, impulsionadas pelo aumento das vendas ou pela adequação a normas de higiene e limpeza, caso dos hospitais, por exemplo, passaram a desembolsar quantias cada vez mais significativas na manutenção e instalação de pisos novos em seus parques. "Como produtividade e qualidade dependem de pessoas e instalações, os pisos assumiram um papel muito importante no ambiente das empresas", reforça Celso Gnecco, gerente de treinamento técnico da Sherwin-Williams do Brasil - Divisão Sumaré. A mudança de mentalidade ds empresários em relação aos cuidados dispensados aos pisos não provém somente de imposições legais ou mercadológicas. É fruto, também, de um mercado que vem e profissionalizando e abrindo excelentes oportunidades de negócios.

Conforme a LPE Engenharia, empresa especializada no setor, o mercado brasileiro de pisos e revestimentos industriais, levando em contas as dez maiores fabricantes, fatura em toro de US$ 23 milhões/ano. Nada mal se considerad que o setor é extremamente pulverizado, contando com mais de 70 fornecedores.

Outro dado reforça o interesse dos fabricantes: de acordo com números do Projeto de Expansão do Mercado de Pisos, iniciativa que pretende abrir caminho para a criação da Associação Brasileira de Pisos e Revestimentos Industriais, 60% do mercado brasileiro de pisos são de manutenção/modernização, e 40%, de pisos novos, ou seja, há um grande espaço para ser preenchido.Dificuldade. Toda ação provoca uma reação. Se por um lado o setor de pisos industriais está sendo ampliado em função do crescimento econômico, por outro, devido ao ritmo alucinante de produção, sobra menos tempo para as paradas, necessárias à instalação ou manutenção. "Acreditamos que muitas empresas, em vez de investirem no revestimento do piso, ou seja, em revestimetos com espessuras acima de 1mm, fazem apenas uma pintura em torno de 200 a 300mm de secagen rápida, o que garante a execução do serviço em uma parada de fnal de semana", critica Ariovaldo Ferreira Nunes, diretor industrial da Advance, que atribui a essa postura a previsão de estagnação do setor no primeiro trimestre do ano.

Glaucio Conde e Antônio Navega, profissionais do departamento técnico e comercial da Polipox, empresa que registra 20% de seu faturamento no mercado e pisos, afirmam que conseguiram equacionar o problema de paradas na fábrica com a escolha do período de manutenção entre 15 de dezembro e 10 de janeiro. "A repercussão e a satisfação têm sido tão boas que nossos clientes se desdobram em arranjar espaço para continuar a manutenção obrigatória durante o primeiro bimestre e a preventiva durante todo o ano", comemoram. Outro fator bastante preocupante é a existência de empresas que "remendam" os pisos, tornando-os muito pouco confiáveis e com durabilidade questionável. "A consequência é que, em muitos casos, o substrato é atingido e a recuperação do piso, futuramente, pode exigir um trabalho de grandes proporções, cujo custo será muito superior ao de um piso que tenha recebido manutenção adequada e constante", avalia Augusto Arrepia, diretor técnico da Matesica, empresa que assegura 30% do seu faturamento no setor de pisos industriais.

Na avaliação de Gnecco, entretanto, desde que o "remendo" seja executado com boas técnicas de pintura, utilizando produtos que tenham qualidade compatível com a tinta antiga e anterior esteja íntegra, não há nenhuma restrição. "A única observação é que a cor do "remendo"dificilmente baterá com o padrão da pintura antiga. Mas se este fator não é relevante, não há probemas técnicos na manutenção do piso, opina.

Antonio Carlos Muchiani, gerente industrial/técnico da Dissoltex, acrescente à lista de problemas do setor a falta de manutenção preventiva, o que muitas vezes acarreta obras corretivas emergenciais. "Quando essa situação acontece, não se respeita as necessidades mínimas na execução do serviço, colocando em risco a qualidade do mesmo, o que gera o tão conhecido quebra-galho", pondera, acrescentando que "isso ocorre principalmente pelo fato de a manutenção ser executada com a fábrica em plena operação."

Os técnicos da Polipox, entretanto, sseguram que as empresas que faziam remendos estão deixando de existir. "Mais e mais as companhias que se prezam pela qualidade estão empenhadas nas novas normas da qualidade, como a ISO 14000, e em fazer a coisa bem-feita da primeira vez, pois sabem que os pisos, além de melhorarem o aspecto das empresas, aumentam sua produtividade, facilitam a limpeza e a segurança de equipamentos e funcionários", afirmam.Aplicação e profissionalização. Um quesito nevrálgico na área de pisos industriais é a preparação da superfície, tida como primordial para a durabilidade e qualidade do piso. "É preciso fazer um estudo de caso a caso e desenhar uma ação para cada tipo de situação encontrada. Essa atitude envolve desde a informação colhida com o cliente até a análise de qual a finalidade do piso no futuro", observam os profissionais da Polipox.

"É fundamental inquirir o cliente sobre a expectativa em relação ao revestimento, uma vez que a agressividade do meio - ácido, alcalino, corrosivo, abrasivo etc. - é quem vai determinar o tipo de revestimento mais adequdo", concorda Arrepia. Já Gnecco lembra que embora uma conversa entre pessoas que conhecem o assunto normalmente resolva, o risco de receber informações incompletas, por desconhecimento do cliente, é muito grande. "Se o caso for uma empresa aplicadora, que tem tecnologia porque já possui um bom currículo de obras, é recomendável que receba a visita de um vendedor técnico para ser orientada sobre qual a melhor forma de aplicação dentro do dispêndio que o cliente está disposto a realizar", aconselha. Segundo ele, há produtos que podem atender plenamente às necessidades do cliente, desde tintas epóxis com espessuras totais de até 250 micrômetros a revestimentos monolíticos autonivelantes com espessuras de 2 a 6 mm. Há também produtos com desempenho intermediário aos dois citados, que podem ser considerados tintas de alta espessura, sem solventes, com características autonivelantes, porém com custo por metro quadrado inferior aos autonivelantes de alto desempenho. "Na maioria dos casos, este produto, com espessuras de 0,5 a 1,0 mm, atende perfeitamente às necessidades do cliente e com um custo menor", explica Gnecco.

A coleta de informações precisas sobre qual a utilização do piso e definição do tipo de tráfego, peso, reagentes químicos etc. não é suficiente pra garantir um piso de qualidade, alertam os entrevistados. "Um dos maiores problemas hoje é a falta de mão-de-obra especializada para aplicação com custos competitivos", acentua Muchiani, acrescentando qua tal situação ocasional a contratação de profissionais não qualificados, que muitas vezes comprometem seriamente o desempenho dos produtos e a qualidade do revestimento.

Com ele concorda Gnecco, que defende a aplicação feita por equipes treinadas e conhecedoras do material, já que a má utilização dos produtos, condição do substrato e de aplicação, a qualificação da mão-de-obra e os equipamentos de aplicação vão determinar o sucesso ou o fracasso da pintura do piso. "Por isso, a exportação se torna difícil para as empresas brasileiras, uma vez que a infra-estrutura da logística deve ser completa", afirma.Modernas tecnologias a expansão do setor de pisos industriais vem levando cada vez mais empresas a desenvolverem produtos compatíveis com as novas exigências quanto à performance e custo. Uma tendência que se nota é o crescimento da utilização de pisos monolíticos epoxídicos. Conforme Conde e Navega, essas novas tecnologias têm permitido a combinação de sistems epóxi-poliuretanos, o que confere ao piso garantias estruturais que somente o epóxi pode ser, além da solidez e excelente resistência à abrasão.

Outra tendência apontada pelos técnicos da Polipox são as massas e revestimentos base água e sistems livres de solventes para piso úmidos. Empresa genuinamente brasileira, a Polipox oferece linhas de revestimentos epóxis, poliuretanos e acrílicos injetáveis, além de tintas industriais.

Produtos ecologicamente corretos também são o alvo da Matesica. No ano passado, a empresa lançou um primer que "respira"e que pode ser aplicado sobre o "concreto verde", ou seja, concreto não curado, apenas 24 horas após a concretagem. "Esse primer permite a evaporação de toda a umidade existente o concreto e, ao mesmo tempo, é permeável à umidade interna. Além de se transformar em agente de cura de concreto, permite a utilização do piso independente do revestimento ou poderá ser revestido posteriormente", explica. A empresa também lançou um revestimento epóxi base água que pode ser aplicado sobre o concreto não curado. "Em se tratando de produtos de alta tecnologia, seus custos ainda são superiores aos produtos tradicionais, porém, com o aumento de consumo, a tendência é que possam ficar com custos próximos aos dois sistemas atuais", pondera.

A busca da versatilidade dos pisos é também um objetivo dos centros de desenvolvimento de novos produtos. A Dissoltex, que assinala no setor entre 25% e 28% do seu faturamento, vem estabelecendo parcerias com fornecedores no sentido de apresentar avanços como juntas flexíveis, lábios poliméricos, antiderrapantes, antiestáticos, massas corretivas etc.

Gnecco, lembra que não só os produtos evolu[iram bastante nos últimos anos, mas também as técnicas de preparação de superfície e equipamentos de aplicação. Em relação aos produtos, ele cita os base epóxi, altos sólidos, alta espessura que permitem aior permeabilidade ao vapor de água, principalmente em recobrimento de concreto fresco. Mais rápida secagem e longo pot-file são algumas das características dos modernos produtos para piso que a Air Products, por exemplo, está ofrerecendo aos fabricantes de tintas", justifica.

Sobre os avanços em preparação de superfície, Gnecco destaca as fresas mais eficientes e rápidas e jateamento captivo cm granalhas que não produzem poeira. No campo dos equipamentos, os destaques são as pistolas airless, "pouco usadas no Brasil por desconhecimento de suas vantagens"; hastes de agitação, que permitem misturas mais homogêneas; rodos aplicadores, dentados, de borracha e resistentes a solventes; calçados para avançar sobre pinturas recém-executadas; e rolo fura-bolhas, usado para eliminar as bolhas de ar que eventualmente permaneçam na camada de produto aplicado.

Nunes, destaca como principais avanços do setor nos últimos anos os revestimentos à base de elastômeros, que apresentam alta resistência química, mecânica e a impactos, com a vantagem de liberação da área quase imediata.Cuidados na aplicaçãoÉ consenso entre s entrevistados: não há produto que resista a uma aplicação inadequada e nem performance desejável sem uma preparação de substrato perfeita. Por isso, aí vão algumas dicas sugeridas por eles:

Fonte: Revista Paint & Pintura